A noite em que eu sonhei com você


Em uma noite quente de verão, eu sonhei com você.

Ainda me pergunto como um completo desconhecido conseguiu entrar na minha mente e balançar meu coração, mas, inexplicavelmente, você fez acontecer.

Eu não tenho ideia de quem você é, mas sei como era estar com você.

Tenho certeza que se fechar meus olhos agora, ainda consigo me lembrar de cada detalhe daquela noite, daquele momento.

É tão estranho esse sentimento, porque eu tenho certeza que te amava. Amava de verdade.

E eu nem sei quem é você.

Mas eu queria saber, muito.

Queria poder lembrar de mais detalhes de seu rosto, do cheiro do seu perfume, queria saber o seu nome. Queria saber que você é real (e não apenas um fruto da minha imaginação) para poder o encontrar por aí em uma rua qualquer.

Só Deus sabe o quanto eu quero te encontrar.

Lembro que cheguei em uma festa qualquer com meu amigo Gustavo, e você parecia muito feliz em me ver. Lembro do seu sorriso. Ele era tão lindo e sincero que fazia minhas pernas tremerem e as borboletas balançarem felizes e ansiosas no meu estômago.

Você me abraçou forte, me levantando pela cintura e girando pelo salão comigo em seus braços. Ouso dizer que foi a melhor sensação do mundo, porque em algum espaço do meu coração, eu sabia que meu lugar era bem ali, envolvida nos seus braços.

Você era bem mais alto do que eu, minha altura batia em seus ombros. Você era magro, seus cabelos eram castanhos escuros, assim como os meus, mas por mais que eu tente, não consigo lembrar da cor dos seus olhos. Apenas sei que eles sorriam junto com seus lábios.

De repente, uma música começou a soar pelo ambiente, não sei exatamente de que lugar, nem consigo lembrar o ritmo, mas sei que eu e você estávamos dançando. Eu não sei dançar. Você deveria estar me guiando, provavelmente me deixando sob seus pés, já que eu não conseguia senti-los.

Dançar com você era como caminhar em nuvens.

Do outro do salão, encostado na parede, estava Nicolas. Percebi sua presença enquanto você dançava comigo, dando passos lentos pelo ambiente. Fingi não o ver, me escondendo em seu ombro, sentindo seu perfume, que me deixou inebriada.

Nicolas não parecia feliz, acredito que estava com ciúmes de nós, mas eu realmente não ligava.

Tudo o que eu queria era aproveitar aquele momento. O nosso momento.

Também lembro da maneira de como você me segurava. Era firme, mas ao mesmo tempo, delicada. Eu conseguia sentir todo o carinho que você tinha por mim, apenas pela maneira de como você me mantinha segura em seus braços. Eu não queria sair dali por nada. Queria ficar contigo para sempre.

Nunca senti isso antes, digo, na vida real. É loucura que eu tenha sentido todos esses sentimentos com você? Ainda não tenho certeza, mas gosto de pensar que o que tivemos era verdadeiro.

Sei disso porque eu não queria ficar longe de você. Nem mesmo por um segundo.

Quando você me girou, Gustavo apontou para Nicolas, querendo me alertar que ele estava ali, observando cada movimento nosso. Fingi novamente não o ver. Estava ocupada demais para me preocupar com o suposto ciúme de uma antiga paixão.

Eu acho que eu queria te beijar, não lembro direito. Apenas sei que tudo o que eu queria era que você gostasse de mim da mesma maneira que eu gostava de você. Acho que você gostava.

Dançamos mais um pouco e então, quando a música parou, nos separamos. Lembro de sentir meus pés no chão novamente.

Mas a melhor parte, foi quando você se aproximou de mim, abaixou a cabeça e sussurrou no meu ouvido:

— Eu não queria que acabasse.

Te abracei pela cintura, encostando minha cabeça em seu peito, onde seu coração batia forte. Você me abraçou de volta, apertando os braços ao meu redor, como se estivesse com medo que eu fosse desaparecer a qualquer instante.

— Eu também não — sussurrei de volta.

É possível se apaixonar por alguém que você não conhece? Porque naquela noite, naquele sonho, eu me apaixonei por você.

E eu nem sei quem você é.





Por Marina Lima.

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