O Chicote
Fecho os
olhos com força quando o som dele corta o ar.
Mal tenho
tempo de respirar e o sinto nas minhas costas.
Batendo
na minha pele nua, rasgando-a fundo.
Sangue
quente escorre pelo meu corpo, manchando tudo pela frente.
Abro a
boca para gritar por ajuda, mas as palavras não aparecem. Estão escondidas, com
medo.
Minhas
lágrimas se misturam com o vermelho do sangue e não sei mais quanto tempo consigo
aguentar.
E ele não
para, nem um por segundo. Ele bate, bate e bate.
E meu
corpo rasga, rasga e rasga.
Ele é preto,
de couro e carrega o peso de todos os meus pecados.
Imploro
para que ele termine, que me deixe livre de uma vez por todas.
Mas ele
não obedece.
Há 24 anos
fazendo a mesma coisa, por que parar agora?
Choro em
desespero, aceitando o meu destino.
Minha mão
direita aperta o Chicote, reconhecendo seu fiel escudeiro.
Fecho os
olhos com força quando o som dele corta o ar.
Por Marina Lima.


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