Sonhos realizados
Eu tinha uns sete anos quando assisti
“Encantada” pela primeira vez. Imaginem o sucesso: um filme da Disney que
misturava animação com Live-action e ainda contava com uma princesa
atrapalhada, a icônica bruxa má, ogros, dragões, músicas incríveis, animais
falantes, príncipes e um homem charmoso e mal humorado que se apaixona pela
simplicidade da mocinha – alô, Patrick Dempsey – além, claro, de ter nomes
famosíssimos no elenco como Amy Adams, Idina Menzel, James Marsden, Susan Sarandon,
Julie Andrews!!! e muitos outros. Soa bom demais para ser verdade, não é?
Bem, para toda amante de princesas, esse
filme virou um clássico. Não apenas por todos esses elementos acima e pelas
referências e sátiras a outras obras da Disney, mas também por ter uma fórmula
diferente, mostrar uma princesa na cidade real e caótica de Nova York e
apresentar um interesse amoroso que, para falar a verdade, não é exatamente o
príncipe encantado sem defeitos que toda garotinha sonha. Aliás, vamos combinar
que o Príncipe Edward era o maior bobão. Mil vezes o Robert Phillip para ser
par com a Giselle, afinal, dois bobões juntos não dá muito certo (desculpa,
Giselle).
Enfim, escrevi tudo isso para dizer que a
minha vida inteira mudou depois de assistir “Encantada”. Virou meu filme
preferido? Nem de longe. Nunca trairia o Nicolas Cage e o meu queridinho “A
Lenda do Tesouro Perdido”. Mas algo me chamou a atenção aos sete anos de idade
e não, não foi o Patrick Dempsey. Foi o Central Park. Isso mesmo, o Central
Park em Nova York, mais especificamente a cena da Amy Adams cantando “Como você
sabe que a ama?” no meio de todas aquelas árvores e coreografias com girassóis,
idosos e noivas para todos os lados.
Não sei dizer como exatamente, mas eu me
apaixonei por aquele lugar. Uma floresta no meio da cidade grande. Tão
colorido, tão cheio de vida, tão verde, tão mágico. Foi aí que coloquei na
minha cabecinha de criança que um dia iria conhecer o Central Park. O Central
Park no verão, para ver as árvores todas preenchidas e verdinhas, para sentir a
grama e cantar como a Amy Adams. Esse era o sonho. O maior sonho da Marina
Criança que virou o sonho da Marina Adolescente e depois o da Marina Adulta.
Estava todos os anos na minha lista de desejos para o futuro, na minha pasta do
Pinterest e nos meus favoritos do computador. O meu maior sonho, o sonho que um
dia eu iria realizar.
E aconteceu. Mês passado, inclusive.
Outubro de 2024. CARACA. Acabou de completar um mês desde que eu conheci o
Central Park. Exatamente hoje. Não é loucura?
Passei os últimos quatro anos trabalhando
(feito uma condenada), planejando (feito uma obcecada) e juntando toda e
qualquer moedinha para ir para Nova York. Recrutei minha melhor amiga, Giovana,
e juntas enfrentamos uma pandemia, trocas de emprego, cursos da faculdade (ela,
Farmácia, eu, Jornalismo), a subida exorbitante do dólar e várias prestações
para pagar as diárias extremamente caras do hotel. Mas no final de tudo, depois
de tanto sonhar, nós conseguimos. Embarcamos em Caxias do Sul rumo a Grande
Maçã. Nem preciso dizer que chorei no avião, enquanto pousávamos no JFK. E
depois de nos instalarmos no nosso cubículo (que também pode ser chamado de
quarto de hotel), fomos explorar a cidade. A primeira parada? Vou deixar você
adivinhar.
E então, eu estava lá. No dia 10 de
outubro de 2024. Exatamente um mês atrás. Depois de 16 anos sonhando, eu estava
no Central Park. Era quase o auge do outono, em um dia ensolarado de céu azul. Olhei
para as árvores com as folhas verdes, amarelas e laranjas. Olhei para os bancos
de madeira. Para a grama verdinha e para os esquilos correndo. Olhei para os
prédios enormes que surgiam atrás das árvores. Para a Gapstow Bridge e para os
patinhos nadando no lago. Olhei para tudo isso e chorei. Chorei de felicidade.
Chorei de alívio. Chorei de “eu não consigo acreditar que estou aqui”. Chorei
de pensar que eu finalmente consegui. Eu estava lá. O sonho era real. Se tornou
realidade bem na minha frente. Eu o vi com meus próprios olhos. Eu literalmente
pisei no Central Park. Sentei nos bancos, deitei na grama, brinquei com
esquilos e com cachorros, atravessei pontes, tirei fotos, vi um pedido de
casamento e inúmeros ciclistas. E chorei. Chorei. Chorei. Chorei. Eu consegui.
Finalmente consegui.
Giovana ficou do meu lado, segurando minha
mão enquanto eu ainda lutava contra as lágrimas para acreditar que aquilo tudo
era real. Minha sessão de choro de felicidade durou quase meia hora. Uns 30
minutos chorando e observando tudo ao meu redor, querendo guardar cada sensação
e sentimentozinho no fundo da memória para lembrar depois que fui eu que conquistei
isso. Eu que abdiquei de tanta coisa para estar ali. Para realizar esse sonho.
Cheguei até a mandar um áudio chorando para os meus pais, que falaram que é
isso o que acontece quando você luta pelo que tanto deseja.
Nos 11 dias que ficamos em Nova York, fui
ao Central Park outras vezes. Fiz Giovana andar pelas trilhas no meio das
árvores e conhecer o máximo possível do parque. As esculturas, os castelos, as
pontes, tudo. Claro que ela teve que me controlar um pouco, caso contrário eu
ficaria só ali e esqueceria de todo o maravilhoso resto que Nova York tem a
oferecer. No último dia, fui para me despedir. Dizer Adeus e chorar mais um
pouco. Saí de lá com o coração preenchido e com o sentimento de dever cumprido.
Nunca vou esquecer dessa sensação. De estar lá. De ter conhecido o Central Park
e cantado igual a Giselle. De pensar que a Marina Criança teria tanto, mas
tanto orgulho da Marina Adulta. De ter realizado esse sonho.
Mas hoje, de volta para a realidade em
Caxias, me pego pensando: E agora? O que eu faço? Qual é o próximo passo? Me
assustei quando percebi que o maior sonho de todos os sonhos já foi realizado.
A Marina de 23 anos já o realizou. E o que acontece depois? Quais são as novas
metas? O que há mais para ver? Isso dá um medo gigantesco, não dá? São tantas
possibilidades, tantas coisas para pensar, planejar e sonhar. Assusta,
amedronta e gera crises de ansiedade.
Apesar de tudo, acho que essa é a parte
mais legal. Tenho que encontrar um novo sonho para realizar.
Por Marina Lima.
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